Corcel:
No ano de 1968 a Ford lançou o Corcel.Naquela época o país dispunha de poucos carros, entre eles o VW sedan, o recém-lançado Chevrolet Opala e o Ford Galaxie. O pequeno “Beetle” fazia sucesso, uma vez que era um dos poucos carros destinados ao publico em geral.Veio então o Corcel, um carro que era Ford, porem tinha sangue Renault em suas veias. A Ford comprara a Willys Overland há pouco tempo, e aproveitou um projeto dela que estava sendo desenvolvido em conjunto com a Renault. O Misterioso Projeto “M”,um carro que seria mais destinado ao povo,porem sem abrir mão de conforto e “sofisticação”. Aqui no Brasil o projeto foi retrabalhado no desenvolvimento da carroceria.Na Europa o “M” deu origem ao Renault R-12, um carro que fez muito sucesso.Aqui em “Terra Brasilis” nascia o Corcel, batizado com o nome de um belo e ligeiro cavalo.
Era um carro com
conceitos mais modernos, trazia tração dianteira, motor à água e outros
itens. Naquele ano era lançado também o Vw 1.600L sedan com quatro
portas.Alias o que alguns possam não saber é que o Corcel não estreou com 2
portas, e sim na configuração 4 portas, o Coupé veio apenas 2 anos
depois.Mesmo assim o Corcel fazia sucesso. No primeiro mês foram vendidas quase
5000 unidades. E em 1969 esse numero se multiplicou por 10!Equipado com um motor
1.3L de 69cv(estimado), o Corcel não
era um super-carro,mas para a época fazia bonito, vinha com uma suspensão
macia e ao mesmo tempo robusta, proporcionando um agradável rodar sempre com
segurança.O Carro foi muito elogiado pelo espaço interno, e pelo ângulo de
abertura das portas traseiras que possibilitavam um acesso ao automóvel muito fácil.A
Ford se preocupava com um problema que ocorria nos carros da época...em altas
velocidades de repente o capô do motor abria-se cobrindo o para-brisa e podendo
portanto causar acidentes. Haviam ocorrido alguns problemas desses com Chevrolet’s
Impala importados até 1964.Embora o Corcel fosse um projeto totalmente
diferente e de outra marca, a Ford não quis arriscar e colocou a abertura do
capô em “Inverso”, ou seja a tampa do motor abria-se no sentido contrário
ao que conhecemos.Na verdade, bastava um pouco mais de atenção com a trava de
segurança do capo que o mesmo nunca abriria.O Capô “Inverso” tinha
desvantagens na manutenção do motor, pelo simples fato de que o mecânico(ou
quem fosse mexer) deveria ficar pela lateral do carro tendo portanto o campo de
trabalho reduzido devido a abertura da tampa ser em 45º.
Em 1970 Corcel
teve um problema com o alinhamento da suspensão dianteira, isso
(comprovadamente um defeito) causava um leve “redirecionamento” das rodas
com o ângulo invertido “para fora”, fazendo com que os pneus dianteiros se
desgastassem em sua banda interna(a parte voltada ao carro, e não a que vemos).
A Ford chamou 64.600 proprietários para consertar o problema, era uma espécie
de recall.
Um
fato curioso que chamou a atenção de alguns ainda em 70 por que o Corcel
precisava apenas de três
“porcas” para prender a roda? Não,
não era nada de moderno, nem nova tendência, apenas uma herança dos carros
Renault, que como todo o bom carro francês que se preze, gostava de se
distinguir do resto.
Em 1969 como
modelo 70 havia sido lançado o Corcel Coupé.Com ares esportivos e traços
muito belos, o carro começou a fazer mais sucesso que o sedan de quatro
portas.Começava então uma maluca mania que dominou nosso mercado não só na década
de 70 bem como na de 80, os carros(sedans ou peruas) com apenas duas
portas.Realmente o Ano de 1970 parecia querer acabar. Em novembro era lançada a
versão Station do Corcel, o Corcel Belina.
No ano de 1971 era lançado o Corcel GT, o esportivo da linha. Calma, ele
não tinha um desempenho de Mustang,mas possuía uma roupagem mais
“enfezada”, com capô e teto pintados em preto, sendo a carroceria de
qualquer outra cor,a Ford mudou o carburador do carro, disponibilizando um de
corpo duplo(os demais da linha possuíam um simples).Alem disse trazia faróis
extras(sendo ao todo 4), e entradade ar na tampa do motor e os vidros traseiros
abriam completamente.Para os padrões da época era um carro nervoso, com motor
1.4L de 74cv líquidos(estimados) e 85 cv brutos.Porem, para efeito de marketing
a potencia era anunciada como 85cv.O carrinho era nervoso, alcançava 143km/h de
velocidade máxima e demorava 17,5s para ir de 0 à 100km/h, lerdo? Bem, o
Toyota Bandeirante demorava 56s…uma eternidade.Segundo os “hippies” da época
o Amarelo Cascata na versão GT ficava um espanto.Devia ficar mesmo, já que
metade do carro era preta e metade seria amarela!Ainda em 1971 a Ford
contabilizou 123.000 unidades vendidas. Para os padrões, respeitando o
Fusca,claro, o Corcel poderia ser considerado um sucesso.Para fechar 1971 a Ford
tinha outro motivo para comemorar, a Belina havia tornado-se um sucesso, vendera
aproximadamente 7.000 unidades em 1970 e fechava 1971 com quase 15.000 vendidas,
era fraca,porem confortável,estável,silenciosa, macia…enfim, tudo o que o
povo queria na época.Ao contrario do Corcel a Belina era oferecida apenas em 2
portas, jamais chegando a ter a versão 4 portas como sua similar a R-12 Break
francesa.
Os meses foram
passando e a linha Corcel ia fazendo sucesso, em 1972 foi lançada a Belina “Luxure”,
uma perua com mais adereços de luxo.Vinha com interior imitando madeira, trazia
pneus de faixa branca(usual nos carros americanos,em geral) e oferecia um
possante sistema de aeração,chamado de “jato” pelos mais brincalhões,
tamanha a força do equipamento.Não era ar-condicionado,mas
como dia o ditado: “Quem não tem cão, caça com gato!” . Em 1973 a linha
ganhava o emblema oval da Ford, alem disso a Belina e o Corcel Coupé passavam a
dispor de série do mesmo motor do GT, o 1.4L. O Corcel GT, alias passava a
oferecer agora de adereços esportivos mais comportados. Era retirada
a pintura de preto do capo e teto, e o carro ganhava faixas paralelas pelo capô
do motor, alem disso, vinha com adereços laterais, faixas pretas, que depois
foram usadas pela VW no Passat TS.Trocavam-se também os faróis de neblina
redondos por modelos retangulares(como os que equiparam o Del Rëy Ghia entre 86
e 91).
Em 1975 era lançado o modelo LDO que equiparia tanto o Corcel Coupé
como a Belina. Tratava-se de um modelo mais luxuoso
que o L ,por possuir forrações internas mais requintadas, alem de rodas
esportivas no Coupé e calotas
cromadas inteiriças na Belina.Era disponibilizado para o Coupé o teto em
Vinil, que fazia sucesso no Opala “Deluxe”e o Opala Coupé Deluxe.Nesse ano
era lançada a cor Prata Chroma, que passaria a equipar o Galaxie em sua nova
versão de 1976. Era certa uma coisa, embora o Corcel ainda fizesse sucesso, seu
desenho estava meio cansado, precisando de uma reestilização.O Projeto
“M-II”(nome não reconhecido pela Ford) era apressado, sendo apresentado no
final de 1977 como modelo 1978.O Novo Corcel era aerodinâmico, moderno,bonito e
conseguia uma proeza, era mais macio que o antecessor.O Motor continuava o
mesmo,portanto não se esperavam melhoramentos no rendimento geral do automóvel,porem
o novo Corcel, chamado de Corcel-II
era mais seguro, estável e muito mais silencioso que o modelo da fase 1.NOTA:se
o Corcel-1 já era silencioso, imaginem esse.
Em 1978 começavam
as vendas do novo modelo.Era então apresentado aos concessionários em duas
configurações, e três modelos. Curiosamente o sedan de 4 portas deixava de
ser produzido, era a mania maluca da “Odisséia das 2 portas” que ia à
toda. Passavam a existir portanto apenas o Corcel Coupé e a Belina(ambos em 2
portas), nos modelos “L”, e “LDO” e GT para o Coupé. O GT teve 4cv
acrescidos ao seu motor, ficando portando com 78cv. A versão LDO passava a
dispor de reais apliques de madeira(antes eram imitação), e forrações de
casimira francesa, a mesma usada no Galaxie LTD-Landau.O interior possuía solo
todo acarpetado e haviam serias preocupações com o isolamento acústico, que a
Ford fez muito bem por sinal nesse modelo, que possuía um rodar muito
silencioso. Realmente a Ford já havia se firmado como a marca que oferecia o
melhor acabamento disponível, os carros Ford eram sempre muito prestigiados por
isso.O Carro foi vendendo, e muito bem alias.
O Corcel
de 1979 passou a disponibilizar um senhor avanço, cambio de cinco marchas, isso
associado ao tão sonhado, pelo consumidor, motor 1.6L, embora o 1.4L
continuasse como opção mais barata. Ainda em 1979 o Corcel foi considerado
pela imprensa da época como melhor que seus concorrentes. Embora o Passat
corresse mais,o Corcel era macio e mais convidativo à uma viagem,
enquanto que possuía um acabamento bem mais rigoroso que o do Dodge Polara, um
carrinho simpático porem rústico.O Corcel era o predileto,privilegiava o
conforto e o bem estar como ninguém.
O
ano de 1980 foi marcado pelo Álcool.Era lançada a versão a Álcool para o
Corcel, e ao contrario da concorrência o carro era mais ágil e tinha a
particularidade de manter-se em ordem(sem desregulagens) por mais tempo.Nesse
mesmo ano surgia uma critica à Belina por parte de seus consumidores. A suspensão
extremamente macia na traseira fazia o carro patinar nas saídas quando
carregado. Realmente não era nada de muito simpático,mas não chegava a ser
perigoso bastando apenas o motorista controlar melhor a união de
embreagem/acelerador.Mesmo assim o problema
incomodava, mas foi apenas resolvido na linha 86, com o lançamento do
Del Rëy Scala, a versão de luxo da Belina.
Em
1981 nasceu sem sombra de duvidas o modelo mais luxuoso da linha
Corcel, o Ford Del Rëy, um
automóvel na configuração sedan com 2 ou 4 portas.Para alguns ele foi o
sucessor do Corcel 4 portas, porem a Ford não reconhecia-o como tal,uma vez que
o Del Rëy era mais luxuoso e completo. Na linha 1982 ele foi a estrela maior
sendo o primeiro sedan a disponibilizar vidros elétricos de série no país.Alem
disso, a versão Ouro, sua mais requintada trazia direção assistida,radio com
toca-fitas e ar-condicionado(esse como opcional).A versão Prata mesmo sendo
mais simples era bem acabada. Oferecia desembaçador traseiro,radio-AM/FM,
marcador de água no painel(inédito na linha Corcel). Foi disponibilizado
tambem em 1982 o Teto Solar, mas o mesmo não fez muito sucesso infelizmente, e
saiu do catalogo da Ford em 1985,para ser oferecido no então Escort Ghia.
Ainda no final do ano apareceram três novidades, o Del Rëy de 2 portas, a
transmissão automática disponibilizada para a versão Ouro, e a picape Pampa,
derivada do Corcel e surgida para concorrer com
Fiat City(derivada do 147) e VW Saveiro, alem claro da GM Chevy “500”
que viria em 1983.Ainda em 1981 saia de linha o Corcel GT devido ao desinteresse
geral que havia provocado uma queda
nas vendas
O Del Rëy foi
incumbido de tratar de uma dura tarefa.Abocanhar o mercado do Galaxie, que
andava caindo. Evidentemente,por melhor que fosse(e era) o Del Rëy não chegava
ao nível do Galaxie, portanto a tentativa foi fracassada.Segundo pesquisas da
Ford posteriormente a maioria dos proprietários de Galaxie havia migrado para o
Opala, enquanto que uma pequena parte pulou para os Mercedes Benz, em geral o
modelo E-190(isso em 1985).
1983 passou e
veio 1984.A Ford estava repensando seus conceitos, havia enterrado o Galaxie, e
agora tinha que seguir adiante.Era então lançada uma nova linha de motores,
os CHT que priorizavam mais economia e melhor desempenho, oferecendo bom
torque em baixa rotação. Isso abrandou
definitivamente o problema que atormentava Belina e Del Rëy, quando tinham que
sair do 0 em uma subida o motor haveria de ser exigido quase ao máximo,já com
o novo CHT, em sua versão 1.6 isso não era necessário.O CHT que equipava o
então recém-lançado Escort era oferecido também na versão 1.35L( 1.346cc)
depois chamado de 1.4L para o Corcel L e Escort L. Ainda no ano de
1984 uma inovação, a Pampa era lançada(como modelo 85) com tração
nas quatro-rodas, item muito útil para a carga em pisos de aderência duvidosa.
Esse item foi oferecido na Belina L em 85, e era de grande proveitosidade
uma vez que possibilitava uma perua à encarar trechos for a de estrada
sem o receio de que ficasse
atolada. O problema desse sistema de tração era a durabilidade, quando forçado
ao extremo, podia quebrar, o que acabou inviabilizando sua continuidade em
linha.
O ano de 1985
trouxe algumas mudanças à linha a frente era modificada e seu grau de inclinação
era “virado” para cima, seguindo os padrões modernos instituídos não só
pelo Monza bem como pelo Escort e Uno. Neste ano o Del Rëy ,com nova roupagem
tinha mais fôlego para enfrentar Santana, Monza e tirar de lavada compradores
do Premio, que ainda não possuía a versão CSL.A Belina, assim como os demais
da linha seguiram as alterações,e ela recebia uma “recalibragem” na
suspensão para torna-la mais rígida na parte traseira.Isso diminuiu o conforto
uma vez que a maciez foi deduzida em escala razoavelmente notável,porem ajudou
e muito na aderência das saídas da Station, acabando com o problema de patinação
quando carregada. Novos modelos eram introduzidos. O Corcel, também renovado na
frente dispunha do modelo L,seguido por GL. A versão Ghia não foi apresentada
nele, para isso a versão GL do Corcel era melhor que as respectivas de seus
parentes oferecendo direção assistida de série, e disponibilizando
ar-condicionado opcionalmente. A Belina oferecia os modelos L(Só a Belina),GL e
GLX, assim como o Del Rëy.
1986 foi o ano
do Adeus para o Corcel, a concorrência com o Monza SL 2 portas fez as vendas do
Corcel caírem desde 1984.Era o fim de um grande carro da Ford Motor Company,mas
o Corcel não morria inteiramente, deixava descendentes que pendurariam até
1997(Pampa). Para o fim do Corcel ocorrido em julho, a Ford
criava a versão L no Del Rëy.O Corcel havia sido um sucesso, vendeu
1.420.000 unidades.
Em 1987 era hora
de seguir adiante de novo. Del Rëy e Belina
ganhavam a versão Ghia, que era uma inovação.Trazia de série direção
assistida, trio elétrico, bancos em veludo,radio toca-fitas, relógio digital
com opção de Data(apenas nos Ghia) , Rodas aro 14 e pneus de perfil baixo,
onde a versão Ghia foi inédita.
Tais pneus ofereciam mais aderência e
beleza estética, porem ao custo de um consumo mais alto e desempenho levemente
menor aos similares em motor nas outras versões.Alem disso eram
disponibilizados apoios para a cabeça dos ocupantes traseiros, e apoio de braço
central(opcional até 1988), havia destaque especial para os freios, excelentes!
No ano de 1988
foi incluído o apoio de braço para os ocupantes traseiros(apenas no Del Rëy)
e o bagageiro de série na Belina.No mais, apenas novos revestimentos, com
destaque para o cinza claro, que conferia ao Del Rëy e Belina um ar requintado.
Em 1989 a linha
Del Rëy/Belina ganhava os motores AP-VW devido a joint-venture formada pelas
duas marcas em 1987, para isso a Ford emprestava o econômico CHT à linha
Gol/Voyage e Parati. O Del Rëy 89,assim como a Belina havia ficado mais ágil e
possante, possuindo agora o motor 1.8L,porem era bem mais beberrão.Confortável
como sempre o carro era uma excelente opção para quem requeria Luxo. O modelo
L concorria com o Premio CS, enquanto que o GLX ficava com Santana GL ,Monza SL/E
e Premio CSL(o Premio nunca foi um sedan médio grande,porem era a aposta que a
Fiat tinha para oferecer, e acreditem, o modelo CSL do Premio era luxuoso e
requintado), sobrando para a versão Ghia concorrer com Santana GLS
e Monza Classic.
No ano de 1990 a
Ford percebeu que o Del Rëy estava desgastado, portanto tratou de arranjar uma
“boquinha” no projeto do novo Santana,de onde, em 1991 tiraria o Versailles.O
ano de 1991 foi o fim do Del Rëy e Belina restando apenas a Pampa como
representante do “Sangue Corcel”.A picape Ficou no mercado até meados de
1997 destacando-se por sua praticidade, robustez e conforto principalmente na
versão S 1.8 que vinha de série com Ar, direção e trio elétrico.O
Versailles embora fosse um bom
carro nunca chegou aos pés do Del Rëy para os entusiastas da marca.
A família
Corcel deixou muitos legados, mas sem sombra de duvida pode ser lembrada como
uma família de carros resistentes, confortáveis, luxuosos e pomposos(linha
GHIA), alem de sofisticados para suas épocas de lançamento.Era a Ford
exercitando um de seus melhores ângulos, o conforto e a primazia do acabamento
que se tornou referencia e padrão para as demais marcas.
--Uma
história mal contada:
Há um fato
interessante na história da linha Corcel. A Belina segundo a Ford
possuiu uma denominação chamada “Scala”, o que não ficou explicado é
qual o ano em que foi lançada, se em 86 ou 87, e até quando ficou se
até 89 ou até 91. Ela teria sido uma versão à parte da Belina? Bem,
segundo as varias publicações, há controvérsias quanto a precisão das
datas, e nenhuma se arrisca a “oficializar” o ano do carro.
Abraços à
todos.
Sérgio®.
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