Ka:
Carros
pequenos sempre tiveram uma carreira de sucesso no Brasil, um país grande, mas
por questões econômicas obrigado a adotar os carros pequenos como utilizáveis
em todas as formas. Vendo que esse era um mercado em pura expansão e
aproveitando-se do fato de quase não haverem carros no segmento micro, que na
Europa é destinado para carros de uso estritamente urbano, a Ford tratou de lançar
o KA europeu aqui. A Fiat jamais nos apresentou os modelos “Cinquencento” e
“Seiscento”, os “micro” dela. A VW jamais trouxe o Lupo e a Opel não
joga nesse time. É, realmente a Ford foi esperta, e viu que o carro
praticamente não teria concorrentes aqui, sendo o único rival o simpático
francesinho Renault Twingo, um carro excelente e reconhecido por sua
funcionalidade e qualidade. Porém havia-se de reconhecer que o Twingo, lançado
em 1993 já estava com um bom tempo de mercado e por causa disso teoricamente o
produto da Ford seria melhor por ser mais atual.
Nascia
então em abril de 1997 o Ford Ka nacional, um carro destinado ao uso urbano e
que segundo a Ford deveria vender bem mais que o Fiesta.Um ponto a ser
considerado primeiramente é o de que a maioria dos carros brasileiros fruto de
projetos europeus acaba tendo sua proposta desviada em nosso país.Como exemplo
podemos citar que infelizmente Chevrolet Zafira e Vectra SW (a perua do Vectra)
não podem conviver no mercado, pois o consumidor entenderia esses carros como
rivais quando na verdade suas propostas são completamente diferentes...esse é
o Brasil , “o país da baderna”! Com o Ka não foi diferente, a proposta
dele é que, por exemplo: A pessoa teria um carro maior, no estilo de um Vectra
para viagens e compraria o Ka para andar pelas apertadas ruas de SP. Realmente
na teoria a coisa é linda, mas como o brasileiro não tem dinheiro para
esbanjar e tem a infeliz consciência de quanto maior o carro, melhor o gosto da
pessoa, jamais que um dono de Vectra teria um Ka, e dificilmente quem juntou seu
dinheiro para comprar um Ka poderia partir para a empreitada de ter um Vectra.
O KA era
apresentado primeiramente na versão CLX 1.3L Endura, o mesmo motor
“Wallita” que equipava o Fiesta CLX. No KA ele passou a desenvolver 60,2cv,
ao contrario dos 60,1cv do Fiesta.Na verdade a diferença de potencia é
imperceptível, percebia-se sim a diferença no desempenho pelo peso menor que o
KA tinha em relação ao Fiesta. O torque de 10,4 kgfm era elogiado, não que
fosse muito, mas pelo peso menor do carro ele tornava-se bom.Bem, o CLX possuía
um excelente pacote de equipamentos, dispondo dos seguintes itens como
equipamentos de série: relógio analógico, limpador/lavador do vidro traseiro,
ar-quente imobilizador, brake-light, travas e vidros elétricos, alarme sonoro
de luzes acesas e cintos de três pontos para os ocupantes de trás.
Opcionalmente o carro melhorava ainda mais, podiam ser agregados num pacote único
o ar-condicionado, a direção assistida, duplo air-bag e radio toca-fitas ou
toca discos(CD-Player). Realmente o Ka mostrava o que a Ford tinha de melhor,
luxo! Confortável como carro grande ele tinha tudo para dar certo. O carro
causou boa impressão e por ser mais barato que o Twingo já tinha um passo
andado.
Dois meses
depois a Ford lançou o Endura 1.0L, numa versão mais despojada. Vinha de série
com um possante ventilador de quatro velocidades, cintos de três pontos e o exótico
e simpático reloginho analógico. Ocorre que por seu design ser ousado demais,
o KA não fez o sucesso que a Ford queria e segundo os parâmetros da empresa
acabou tornando-se um fracasso.
Veio
o ano de 1998 e a Ford estava meio perdida...O que fazer? Tirar o carro de
linha!? Não, diferente da VW a Ford quis manter uma política de respeito com
seus clientes, admitiu que o carro não era o sucesso esperado e começou uma
ousada manobra para transformá-lo num carro de nicho. Como? Bem, veremos a
seguir...
Começou então
em 1998 uma estratégia para colocar o carro num mercado de nicho. Calma! Ele não
foi re-estilizado, nem trocou de nome, alias nem haveria, pois tanto o desenho
como o nome, são muito originais. Foi lançado então o modelo “Image” numa
elitização do modelo 1.0L entrando no mesmo parâmetro seguido pelo Twingo, o
de populares bem equipados.Para isso tal versão trazia direção hidráulica,
travas e vidros elétricos, pára-choques pintados na cor da carroceria alem de
rádio toca-fitas. O modelo diferenciava-se também pelas forrações
oferecidas, muito bonitas e agradáveis ao tato, o “Image” seguia o modelo
Ford: “Conforto em primeiro lugar!”.
O KA deu mostras
que nesse segmento iria pegar, pois o segmento de nicho é diferenciado dos
normais, o próprio nome diz, ele se destina a um publico (ou uso)
diferenciado.O KA então se encaixava melhor para pessoas sós, jovem, mães
para levar os filhos na escola, diferentemente do que é o usual em carros
pequenos, como Gol, Corsa, Fiesta e Palio, que se acabam tornando o primeiro
carro da família. O KA não nasceu para isso.O modelo “Image” seguia
oferecendo os mesmos equipamentos da versão 1.3 CLX.
Na linha 99 a
versão CLX 1.3 saiu de linha e como o motor 1.4-ZETEC nunca foi oferecido para
o Ka o carro ficou apenas com as versões 1.0L e Image. Mesmo assim o modelo foi
tendo um numero de vendas cada vez melhor, ainda longe do índice pretendido
pela Ford, mas melhorando. As novidades na linha viriam no modelo 2.000.Foi lançada
também a versão especial Techno, com adereços mais esportivos e mais
equipamentos de série.
No fim de 1999
foi apresentado o modelo 2.000 com a mesma carroceria porem com mudanças nas
motorizações. Saia de linha o motor Endura 1.0L para a chegada do ROCAM 1.0L
mais silencioso, ágil e econômico, alem claro de menos barulhento. O ganho de
potência foi surpreendente, o carro passou de 51cv para 65cv. Alem disso o
Motor ROCAM oferecia uma vantagem bem útil frente à concorrência e ao “mal
falado” Endura, foi projetado para rodar entre 250.000 e 300.000km, uma marca
invejável até mesmo para o “indestrutível” AP da VW.
Muitas pessoas
reclamavam do fato do KA ter muitas partes da lataria à mostra por dentro, mas
na verdade essa era a intenção da Ford, pois o KA nasceu para diferenciar-se
do resto, para se destacar e mesmo tendo partes da carroceria à mostra por
dentro, não significava que seu acabamento fosse ruim. A precisão das
costuras, o cuidado nos encaixes e a preocupação com forrações faziam(como
ainda fazem) o KA dar um banho de qualidade em muito carro médio ou médio
grande por ai.
Em
2.000 as versões do KA foram se multiplicando, o modelo 1.0 recebia denominação
GL, e ganhava um motor mais possante no seu ventilador a pedido dos clientes,
alem disse as lanternas passaram a ter tom “fumê” para darem ao “Karro”
um ar mais forte. Os piscas dianteiros ganharam a opção branca, atendendo a
pedidos de pesquisas também, embora os piscas laranjas sempre caíram muito
bem. Nesse ano foi lançado seu concorrente, o Chevrolet Celta, na verdade era
concorrente apenas em tamanho, pois enquanto o KA estava tornando-se um carro de
nicho o Celta veio para ser opção ao Fiat Uno Mille, ou seja, um carro bem
popular no extremo sentido da palavra.Alem disso com o tempo viu-se que comparar
os dois seria pura covardia com o Celta visto que o KA dava (como ainda dá) um
banho de qualidade em cima do pobre carro da GM. A Ford não se preocupou com o
lançamento do Celta, quem quiser um carro popular compra um Celta quem quiser
conforto sofisticação e qualidade compra o Ka, na verdade esse dilema se impôs
por meio do mercado.
No ano de 2001 o
mercado vem dando mostras de que se adequou a nova proposta do KA, a de ser um
“carro de nicho”, as famílias que precisam de um carro para si (ou seja,
todos) tem procurado carros de porte superior como Palio, Corsa, e o próprio
Fiesta, além claro do VW Gol, o KA ficou para o publico que lhe caia melhor, ou
seja, mulheres e homens sós, jovens no seu primeiro carro, mães no uso das
compras ou para o dia-a-dia, enfim utilizações mais urbanas.O conjunto geral
do carro vem se acertando cada vez mais e assim como o do Fiesta é um dos raros
casos do carro bem “acertado”, em motor, câmbio, nível de acabamento,
entre outros. Foram apresentados os modelos XR 1.6L(com 95cv) e Black 1.0 e
1.6L, a primeira com ares mais esportivos e a segunda jogando pesado no luxo e
sofisticação.
Realmente o
processo de transformação de categoria no Ka da mostras de estar completo. A
Ford mostrou que errou num primeiro momento, mas teve uma excelente atitude ao
manter o carro em linha, mesmo quando ele não fez sucesso, nesse momento ela
demonstrou claramente que possuía um grande respeito pelo consumidor que
comprou o seu carro, diferente do que ocorre com outras marcas. Para finalizar o
ano satisfazendo ainda mais o cliente a marca remodelou a traseira do automóvel,
afim de que o novo “Look” oferecesse um visual ainda mais jovial, esportivo
e robusto. Não que tenha ficado exatamente como queria o publico, mas
certamente melhorou o único ponto fraco do KA, a traseira com ares frágeis
havia sido resolvido. Houve descuidos quanto à borda dos pára-choques e o ângulo
das lanternas, mas isso não é nada que vá afetar as vendas do carro, ao
contrario, de certo agora com um visual mais robusto o carro tenderá a vender
mais, e não há automóvel na categoria que consiga desbancá-lo. A VW teima em
não nos apresentar o simpático Lupo, a Fiat faz o mesmo com o belo Seiscento e
a GM derrapou feio ao lançar o Celta.
O Que esperar
para 2002? Impossível dizer, espera-se que ocorram algumas coisas com o KA,
como por exemplo, a inclusão opcional do duplo air-bag para as versões GL e
Image(essa já disponibilizou o item opcionalmente, mas o perdeu em fins de 99)
além da versão Black. Espera-se também um melhoramento geral no nível de
equipamentos da versão GL, para que passe a disponibilizar limpador/lavador do
vidro traseiro, hoje oferecido apenas como opcional. Não será de se estranhar
um aumento nas vendas de seu concorrente de nicho, o Twingo visto que o pequeno
notável dos franceses tomou um banho de loja e está muito convidativo pelo
excelente nível de equipamentos que oferece na versão Initiale, de certo será
necessária uma atenção maior da Ford para que o Twingo não roube o publico
do modelo Black 1.0L.
Devido ao
sucesso que o carrinho vem tendo no segmento de nicho, a Ford não pode
descuidar de seu pequeno “bebê”, uma vez que a concorrência deve estar se
mordendo de inveja por não ter um produto tão bem equilibrado e acertado nos mínimos
detalhes. Os boatos soltos de que o Ford KA sairia de linha dificilmente se
confirmarão, uma vez que se a Ford manteve o carro em linha na época em que
ele era considerado um fracasso, não é agora que ele está a passos largos
indo para o estrelato que a marca irá retirá-lo.
Como
dizem os entusiastas:
“VIDA
LONGA AO KA!”.
Abraços
a todos.
Sérgio®.