Maverick:
O Maverick
nasceu na América, “Terra do Progresso” como aposta da Ford contra os
carros japoneses, e alemães.Vinha em 1969 ,era moderno,bonito compacto e
oferecia vidros elétricos, ar- condicionado e direção assistida, alem claro
do Cambio automático. Mais que isso possuía uma versão V8, paixão pura do
povo americano.Lá, o carro foi um sucesso, vendeu mais de 500.000 unidades
apenas no primeiro ano, e totalizou entre 69 e 77(seu período de produção lá)
cerca de 2,5 milhões de unidades vendidas. O Maverick decaiu na América em
parte pela temida crise do petróleo, isso aliado a chegada de modernos automóveis
japoneses e carros alemães cada vez mais precisos,que foram roubando mercado do
Ford e com o tempo a marca do oval viu que o Maverick não tinha mais
chance.Acima de tudo o carro causou boa impressão por lá, deixando um nome
limpo e cativando uma verdadeira legião de fãs.Mas e aqui? No “Patropi”?
O “Musty”(apelido
carinhoso para Mustang) havia causado furor nos anos 60 aqui no Brasil entre a
classe abonada. Era possante, lindíssimo, ágil e charmoso...porem, com a
gradativa queda nas importações, e depois a sua quase extinção, a Ford
nacional pensou que haveria uma chama acesa ainda pelo Mustang.Como produzi-lo
aqui era inviável a marca fez pesquisas.E apresentou entre vários carros o
Maverick e o Taunus europeu.Na pesquisa feita o Taunus agradou muito,moderno
bonito, comportado estilisticamente ele fazia
mais o estilo brasileiro,sempre apreciador por demais dos automóveis
europeus. A Ford então cogitou lançá-lo aqui,mas para variar, com nosso
“brilhante grau de desenvolvimento”, a produção do Taunus tornou-se inviável,
e por que?! Bem, por que o carro necessitaria de uma nova fabrica apenas para
motores, alem de inúmeros ajustes na suspensão e no sistema de arrefecimento.
O Projeto Taunus estava descartado, uma pena, pois sem sombra de duvidas haveria
de ter sido um sucesso. Mas o que por no lugar já que a Ford necessitava de um
carro no segmento médio?! A aposta seria o Maverick, que na América vinha
fazendo um relativo sucesso. E assim foi feito, no começo de 1973 o Maverick
era apresentado como a nova aposta da Ford, teoricamente tinha tudo para ser um
sucesso...”teoricamente”.
O Maverick era
lançado na versão Coupé com motor de 6cc e em duas versões, “Luxo” e
“Super Luxo”, havia ainda a versão esportiva, a “GT-V8” equipada com
motor 5.0L , de desempenho impressionante. O motor 6cc, derivado da Willys
Overland foi sem sombra de duvidas o maior vilão na tarefa de sujar o nome
Maverick.Embora atendesse bem o Aero dos anos 60 esse motor só trouxe problemas
para o Maverick. Durante os testes de adaptação do carro realizados pela Ford,
para poder regular o projeto antes de lançá-lo, o motor 6cc
fervia, fundia, e bebia feito “russo em dia de festa”.Infelizmente a
marca teimou em corrigir os defeitos desse motor ao invés de sucedê-lo por algo
similar.Teria sido melhor procurar outro motor. O Maverick V6 era fraco, um
verdadeiro beberrão .Levava 19s para ir de 0 à 100km/h, e alcançava
velocidade máxima de 151km/h, algo nada animador para um carro 6cc com vocação
esportiva. Alem disso o cambio era tão impreciso, que devia-se tomar imenso
cuidado para não engatar a 1º marcha quando se fosse passar de 2º para 3º.Em
termos de acabamento ao menos o carro era um legítimo Ford.Macio,confortável e
bem detalhado o acabamento interno era realmente um show.Mas se por um lado o
6cc apenas fazia feio, o 8cc, da versão GT-V8 era de arrancar suspiros, levava
11,3s para atingir 100km/h saindo da imobilidade e alcançava impressionantes
180,5 km/h de velocidade máxima....virou figura carimbada nos populares
“rachas” da época.Mas como a história do Maverick mais teve torturas que
felicidades o V8 também sofria de problemas. Acelerar o GT era fácil e
gostoso, porem pará-lo era uma tarefa árdua e digna de um banho de suor em
casos de emergência. O carro possuía problemas graves nos tambores traseiros,
que ao mínimo “pisão” do motorista no freio travavam e deixavam o carro
solto e sem controle.Fora isso o V8 apresentava um problema característico,
como era muito possante(possuía 141cv-*estimados-) e bem leve de traseira, o
carro dançava verdadeiras valsas nas curvas, e apresentando o mesmo problema do
Opala Coupé SS, o GT poderia sofrer um sério acidente nesses casos se o
motorista não soubesse “domar o bicho”.
Para 1974 a Ford
disponibilizou novos revestimentos internos, aliados à mais forrações para
conter os exageros de barulhos vindos do motor.No mais, havia sido lançada no
fim de 73 a versão 4 portas do Maverick, com o mal-fadado motor 6cc e nas versões
“Luxo” e “Super Luxo” ,assim como o Coupé. Na metade de 1974 foram
disponibilizados ar-condicionado e direção assistida (ambos, opcionalmente)para
o modelo, mas a melhora do nome Maverick estaria por vir apenas em 1975.
No ano de 1975
veio a aposta da Ford para acabar com a má fama do Maverick. A marca dizia
Adeus ao motor 6cc em pró de um novo e moderno 4cc, de 2.3L com potencia
estimada em 105cv(informação não confirmada). Esse motor era econômico e ágil,
uma infinidade de vezes superior ao velho 6cc. Acelerava de 0 à 100km/h em
15,5s e atingia 156km/h de velocidade máxima(apenas lembrando o 6cc demorava
19s de 0 à 100 e atingia 151km/h). Porem a vantagem do 4cc estava em sua agradável
condução, econômica(fazia média de 7km/l na cidade) e pratica.Esse motor
possuía torque maior em baixas rotações quando comparado ao 6cc, evitando com
que o motorista precisasse pisar fundo para ganhar força.
Alias em 1976 um
ano antes da Fase-2 do Maverick a Ford começou a investir em conforto, trocou
novamente os revestimentos internos, e disponibilizou casimira francesa(o mesmo tecido que equipava o Galaxie LTD)
para o Maverick Super-Luxo.Alem disso, trocou os carpetes do carro por forrações
em que a sujeira tinha menos chance de “incrustar”, era a Ford praticando o
que fazia melhor, um acabamento primoroso. Ainda em 76 a fama de bebum do GT
voltou a atacar.Foi visto que o modelo, quando usado em cidade nos exaustivos
trechos de congestionamentos acabava tendo um péssimo consumo, algo como
2,3km/l, o que lhe dava autonomia de menos de 200km na cidade(visto que seu
tanque disponibilizava 80L de capacidade). Isso era um senhor ponto contra o
carro, uma vez que a crise do petróleo três anos antes exigia carros mais econômicos.
Por causa disso a Ford começou a diminuir gradativamente a venda da versão
8cc, elevando cada vez mais a versão 4cc ao povo.
No ano de 1977
surgiu a Fase-2 do Maverick, com grande parte dos defeitos do carro resolvidos.
Foram redimensionados os sistemas de freios, alem da suspensão à fim de tornar
o carro mais estável. Era re-estilizado levemente também em detalhes externos,
como grade dianteira, piscas, lanternas traseiras, calotas(de metal) e frisos
laterais.Porem o carro agregou muitos melhoramentos em termos de acabamento.
A versão 4cc passava a ser
oferecida nos modelos “L”e “LDO”,
alem agora da GT.Isso mesmo, a versão GT disponibilizava agora dois motores, o
V8, legítimo esportivo, e o 4cc ,o “esportivo de mentirinha”. Alem disso o
Maverick incorporava mais itens de conforto.Direção assistida era de série em
todos os modelos, e o GT trazia ainda de
série ar-condicionado e vidros com acionamento elétrico, alem de bancos
em couro(para suceder o curvim). A versão “L”,mas simples da linha
passava a dispor também de alguns novos itens como acendedor de cigarros,
desembaçador traseiro. A versão “LDO” era o ápice, pois diferente do GT
era mais voltada à família. Para isso o investimento da Ford nela foi maciço.
O “LDO” trazia de série o mesmo que o “L” somado à rádio AM/FM-Ondas
curtas, forrações em veludo, acento do motorista regulável em altura, alem de
travas elétricas para a versão 4 portas. Opcionalmente poderia vir com
ar-condicionado e transmissão automática.Trazia painel requintado com inúmeros
marcadores e conta-giros(também oferecido no GT), e nas portas também havia
forração em madeira,assim como no painel.
O ano de 1978
foi uma “re-edição” (à brasileira) do acontecimento americano de 77 com o
Maverick. Aqui era o Corcel que roubava a cena, em sua nova geração, que
definitivamente conquistou a classe média. O Maverick começava a ver o seu fim
cada vez mais próximo.As vendas despencaram ainda mais quando o Corcel teve sua
versão 1.6L lançada em 79.
Em 1979 o
Maverick dizia Adeus,sofrera a mesma injustiça no mercado brasileiro como
ocorreu no americano dois anos antes.Saía de cena então o carro que segundo a
Ford deveria ter sido um sucesso, porem por azar do motor 6cc, da crise
do petróleo e de outros fatores foi um fracasso. Na América vendeu 2,5 milhões
de unidades, aqui, meras 108.000, algo como menos de 5% considerando-se o que
nos Estados Unidos. O sucessor do Maverick seria o Ford Del Rëy, desenvolvido
mais ao estilo europeu,porem a Ford jamais reconheceu o Del Rëy como sucessor
do Maverick, e realmente ambos os carros eram de temperamentos e personalidades
muito diferentes.Houve uma tentativa de reeditar o Maverick numa segunda geração,
chamada de Maverick-II ,mas novamente o destino se impunha contra tal projeto. O
inicio dos anos 80 foram marcados por recessão, o que definitivamente engavetou
o nome Maverick. .
“Aquele que
nasceu no estrelato ,havia morrido na miséria absoluta”, realmente lamentável,
visto que o Maverick era um bom carro, fruto de um projeto bem
desenvolvido,apenas com o problema do 6cc aqui no Brasil.É injustiças sempre
houveram...e continuarão havendo,pois quando o destino traça algo, não há
como ir contra.
Abraços
à todos.
Sérgio®.