Versailles:

        Lançado em Agosto de 1991 para suceder o Del Rëy, o Versailles era o primeiro produto por parte da Ford que vinha como fruto da Autolatina.Cópia do Santana, então sucesso da marca alemã dos anos 80, o Versailles recebia uma roupagem mais formal e luxuosa que seu parente alemão. Mecanicamente era idêntico, oferecendo os conhecidos e bons motores AP.O Versailles era apresentado em duas três versões e três configurações. Os modelos eram o GL 1.8(96cv) , GL 2.0-carburado(105cv) e GHIA 2.0i(114,5cv). Eram oferecidos o modelo Coupé(sedan de suas portas), Sedan de 4 portas e a versão Station, a “Versailles-Royale”, estranhamente oferecida apenas na versão de 2 portas.

        O carro foi muito elogiado por seu desenho, mais imponente que o do Santana.Com o lançamento dele, seguido da apresentação do Tempra no mês seguinte estava lançado o quarteto que penduraria pelos anos 90 como o primeiro passo a evolução desse segmento de cada marca.Porem curiosamente Versailles e Santana seriam os últimos médio-grandes fabricados aqui por Ford e VW à serem lançados.A versão GL dispunha  de ventilação forçada de 4 velocidades, ar-quente, desembaçador do vidro traseiro, preparação para som, brake-light, vidros verdes, rede de proteção no porta-malas.Na versão de 4 portas dispunha de trava de segurança para crianças, seguindo seu antecessor, o Del Rëy. A versão GL 2.0 dispunha dos mesmos itens da GL 1.8 acrescidos de direção assistida e para-brisa degradé. Opcionalmente poderiam vir equipadas com ar-condicionado, trio elétrico, radio toca-fitas.A versão GL 2.0 ainda disponibilizava um opcional não disponível na versão GL 1.8, os cintos traseiros de três pontos, um importante recurso quanto à segurança, e um avanço frente ao parente Santana, pois o mesmo só oferecia tal item na renomada versão GLS. A versão GHIA era por si só um luxo.Trazia de série todos os equipamentos da GL 2.0 acrescidos de alarme, bancos dianteiros com regulagem de altura/lombar, coluna de direção ajustável trio elétrico, travamento central,rodas de liga leve antena elétrica e radio toca-fitas.Opcionalmente o GHIA evoluía ainda mais, oferecia alarme com levantador dos vidros e sistema anti-esmagamento, porta-malas com acionamento elétrico, transmissão automática de três marchas e freios ABS. As belas rodas da versão GHIA somadas às lanternas traseiras interligadas por um pequeno filete faziam do carro um o mais imponente entre os quatro principais (Santana, ele, Tempra e Monza).Apenas que havia um fato que não agradava aos amantes mais profundos da marca, o comportamento do motor 2.0 era muito “hostil” em altas rotações, deixando de ser suave como deveria ser um Ford, isso causou um certo descontento entre os fãs da marca, mas como a política da Autolatina era poupar custos nenhuma adaptação do AP nesse sentido foi feita no Versailles.

        Diferente da tendência que se mostrava cada vez mais crescente a perua Royale disponibilizava apenas 2 portas, mas essa moda(felizmente) já estava sumindo do país, pois a Década de 90 mostrou a abertura do país às 4 portas. Especula-se que a VW teria planejado da seguinte maneira, ofereceria a Quantum na versão 4 portas enquanto a Royale ficaria com o publico das duas portas(cada vez mais escasso). Se realmente isso é verdade foi uma “picaretagem” por parte da VW, pois o fato de ter duas portas foi sem sombra de duvidas o fator determinante no fracasso completo e total do Ford Royale.a perua disponibilizava os mesmos equipamentos e versões que o Sedan e Coupé.

        No ano de 1992 o Versailles começou a sentir a concorrência, o Tempra, então recém-lançado já fazia um bom sucesso, alem dele o Santana havia assumido o posto que foi do Monza nos anos 80, o de líder de vendas na categoria.O Ano de 92 passou e notavelmente todos os quatro sedans sentiram o lançamento do Chevrolet Omega. O Omega em parte ajudou a roubar uma clientela de Versailles GHIA, Santana GLS, Tempra  OURO e Monza Classic, pois as pessoas iludidas pelo glorioso porte do então novo carro da GM abriam mão desses modelos nas suas versões topo de linha para adquirir um Omega no modelo GLS, a versão de entrada do Absoluto.Curiosamente a versão mais vendida em 92 do Versailles era a GHIA, vendeu mais que Monza Classic, Tempra Ouro, ficando atrás apenas do Santana GLS.

        No final de 1992 foram incluídos na linha 93 apenas novos tecidos e novas cores. A imprensa reconheceu ainda no fim daquele ano que o Versailles destacava-se entre os quatro como o mais silencioso e macio, passara o Monza então detentor do Titulo.Como todo bom carro Ford que se prezasse o Versailles tinha que oferecer conforto, e isso ele tinha. O Tempra era levado como um sedan esportivo, o Santana como o carro de família, o Monza como o dos mais conservadores, porem o Versailles atraía os executivos por seu porte superior.

        O ano de 1993 passou e o Versailles ia mantendo-se em vendas, porem elas não eram nada animadoras, provavelmente por que o Versailles não tinha algo que  o antecessor, o Del Rëy fazia questão de ostentar: o fato de ser “Um Ford Legítimo”.O Versailles era visto pelos amantes do oval como um bom carro sim, mas fora dos padrões em que a Ford havia se moldado. Seu desenho com ares alemães demais lembrava muito o Santana, principalmente em perfil.Enquanto isso a perua Royale também sofria, e no final do ano acabou passando um verdadeiro vexame, mesmo a versão GL 1.8,  a mais barata da linha não havia conseguido vender o mesmo que a Suprema CD, versão topo de linha da Station do Omega, que custava quase US$ 25.000 a mais.

        No ano de 1994 tudo se manteve igual, porem o Versailles inexplicavelmente começou a ter um aumento nas vendas, a versão GL 1.8 passou o Santana CL e fechou o ano dando um banho não só nele como no Monza GL 1.8 da Chevrolet.No fim do ano era lançado o modelo 95, com inúmeras mudanças não só estéticas como em equipamentos.O modelo 95 ganhou grade com estilo oval, lanternas traseiras redesenhadas e em tom fume, a quarta coluna perdeu o friso preto que unia a janela espia fixa lateral ao vidro traseiro.Foi adotado ainda um spoiler traseiro, no estilo do usado no Chevrolet Omega CD, mas com brake-light embutido, alem disso o carro ganhou novas rodas de liga leve e passou a ter novos faróis de neblina, com maior alcance. Por dentro novos tecidos, novos apoios de cabeça (abandonando os retangulares e duros apoios adotados pela VW).As cores para o interior eram cinza claro, cinza escuro ou bege (exclusiva para o modelo pintado de dourado), também foi adotado um novo painel mais agradável a leitura,e com formato mais harmonioso. Em equipamentos o Versailles teve o Teto Solar elétrico, forrações internas em couro (bancos, portas e chão) acrescidos aos opcionais no modelo GHIA enquanto ganhava de série levantador automático dos vidros,alarme com controle remoto e porta-malas elétrico.O modelo GL 2.0 ganhava de série injeção eletrônica, e volante ajustável em altura.Finalmente a perua Royale ganhava a versão 4 portas,mas já era meio tarde.

        No ano de 95 realmente era visível que não só o Versailles, bem como seus concorrentes já estavam ultrapassados. A GM já importava o Vectra desde final de 93, a VW disponibilizava o Passat para quem quisesse mais sofisticação (isso inclusive gerou um boato de que o Santana sairia de linha naquele ano), e a Ford apresentava o Mondeo como importado.Se comparado ao Mondeo o Versailles perdia feio, pois se via a idade do projeto em quase todos os aspectos.Na metade do ano saíram de linha as versões 2 portas tanto do Versailles quanto da Royale.

        O ano de 1996 foi o ultimo do Versailles, desgastado, envelhecido e com o fim da Autolatina cada vez mais próximo, a Ford viu que não teria mais como levar adiante o modelo, ou ele mudava completamente (inclusive a plataforma que era emprestada do Santana), ou saia de linha. A Ford escolheu a segunda opção. Como ano de despedida, o Versailles teve desconto nos opcionais da versão GHIA, favorecendo os clientes a levarem o carro completo (foi o ano em que mais se venderam Versailles automáticos).Em  outubro de 96 o Versailles dizia adeus, não só ele como Pointer e Logus também faziam o mesmo pois usavam a plataforma do Escort, e o acordo da Autolatina havia acabado. O Versailles foi sem sombra de duvidas muito prejudicado pela Autolatina, uma associação mal-feita onde ambas as marcas queriam mandar e a VW agiu por vezes de maneira sorrateira e violenta contra a Ford.O carro tinha um belo nome, um belo desenho e vários outros pontos positivos, entretanto não vingou.Há de se lamentar por isso.Seu sucessor, o Ford Mondeo jamais viria a ser fabricado aqui, pois a Ford alegou (numa desculpa esfarrapada) que o carro “Não justificava”.

Abraços a todos.

Sérgio®.

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